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Em
1995, a Fundação Abrinq para Defesa dos Direitos da
Criança, realizou um estudo propondo uma ampla ação
de estímulo ao trabalho voluntário no Brasil, do qual
participaram algumas entidades com realizações importantes
na área. Na época, foi extraída uma definição
bastante abrangente sobre voluntário.
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"Voluntário
é o ator social e agente de transformação,
que presta serviços não remunerados em benefícios
da comunidade. Doando seu tempo e conhecimentos, realiza um
trabalho gerado pela energia de seu impulso solidário,
e atende não só às necessidades do próximo,
como também aos imperativos de uma causa . O voluntário
atende também suas próprias motivações
pessoais, sejam elas de caráter religioso, cultural,
filosófico ou emocional."
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(Fundação
Abrinq)
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Conheça
também alguns conceitos de pessoas que atual há anos
na área, para extraírmos o que pensam sobre a definição
de voluntariado.
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"Voluntário
é toda e qualquer pessoa que se dispões, espontânea
e desinteressadamente auxiliar, participar e colaborar com
outra pessoa, causa, ou entidade."
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(Bernadete
Marques da Silva)
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"Voluntário,
é toda pessoa sensível às necessidades
da sociedade em que vive, e compreende a importância
de doar seu trabalho em benefício de um grupo menos
favorecido."
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(Adelaide
Dimetri)
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"Voluntário
é toda pessoa que se propões a enfrentar desafios,
baseado na solidariedade, caridade, amor ao próximo,
com o propósito de melhorar a sociedade em que vive."
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(Zélia
Oliveira)
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Através
dessas e de diversas outras definições, podemos perceber
que o significado de ser voluntário perdeu sua conotação
mais piegas , e passou a ter um sentido mais amplo, baseado no binômio
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JUSTIÇA
SOCIAL + CARIDADE
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em
que a preocupação com o contexto social possui o mesmo
peso do motivador caridade. Também não é concebível
falarmos só em compromisso social como é hoje em dia,
pois não corresponde á realidade de nosso país.
Somos um povo eminentemente religioso, colonizados por jesuítas,
e temos arraigado em nossa cultura um sentido de ajuda ao próximo
e de exercício da caridade muito fortes. Ainda não
possuímos uma tradição comunitária importante,
e, portanto, a realidade é que o trabalho voluntário
tem suas raízes na compaixão, na tradição
filantrópica e no forte impulso em resolver os problemas
da sociedade. Diferente dos Estados Unidos, berço do Terceiro
Setor e da ação voluntária, pois lá
as instituições são comunitárias, originaram-se
na comunidade, servem a ela, crescem ou morrem com ela. Já
na Europa a filantropia é uma virtude predominantemente privada,
com um forte sentido de caridade, onde os Estado até hoje
tem uma forte inserção na área.
Devido
a essas diferenças não podemos e não devemos
importar técnicas de outros países, pois nossa realidade
é singular e, por conta dessa diferença, até
a década de 1990, encontrávamos e ainda encontramos
voluntários superestimando suas ações, encarando
sua função de forma poética e até mesmo
passional.
Seria
conveniente que instituição de ensino, discutisse
com seus alunos estes conceitos. Se as instituições
não trabalharem com esse componente, correm o risco de não
estarem em sintonia com grande parte do seu corpo de voluntários,
gerando desmotivação e um alto nível de desinteresse.
Em
termos de gestão do trabalho voluntário, não
adianta contar somente com gestores capacitados, altamente técnicos,
que se servem somente ao ato de administrar, nem com diretorias
enlevadas e poéticas, que administram com o coração.
Os gestores tem de administrar as diferentes visões de seus
voluntários, buscando um equilíbrio em sua atuação.
Normalmente
uma pessoa quando se apresentam como voluntário a uma entidade,
traz embutida a idéia de por estar oferecendo seu trabalho
gratuitamente, as regras não são severas, os horários
são flexíveis, a noção de hierarquia
é fraca, e muitas vezes, pela simplicidade da tarefa que
lhe é solicitada, seu desempenho é fraco. Em quase
todas as entidades no Brasil, a eterna queixa é: "aqui
os voluntários não se fixam; entram e saem, não
cumprem os horários, e muitas vezes somem".
Certamente
o cerne do problema esta no fraco esquema administrativo do setor
de voluntários. Somente as entidades mais antigas e estruturadas
conseguem reduzir tais problemas, pois têm um grau mais apurado
de organização, quer pela experiência quer pelo
tempo de existência e pelo enfoque profissional de seu gerenciamento.
Quando
o voluntário é capacitado a enxergar o quão
importante é a tarefa que ele executa na entidade, tenha
ela o grau de importância ou dificuldade que tiver, aliviando
o sofrimento de adultos ou crianças, certamente ele servirá
com responsabilidade e consciência.
O
voluntário tem de saber que tanto a pessoa assistida como
a causa abraçada dependem fundamentalmente de seus esforços,
e que seu trabalho deve ser exercido com toda dedicação.
Por
estar desempenhando uma função não remunerada,
o voluntário não pode e não deve se colocar
numa posição superior, na situação de
quem esta fazendo um favor, por que quem serve com sinceridade,
recebe muito mais do que doa.
Existem
pessoas que se apresentam como voluntários e que atribuem
um enorme valor à sua solidariedade e vontade em ajudar.
Essas pessoas chegam as entidades cheias de vaidade, sem sequer
imaginar o que é enfrentar a realidade do trabalho voluntário,
sem sequer imaginar "o que é", e "quem é
o voluntário".
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