Histórico do Voluntariado no Brasil

1543 - É implantada a primeira Santa Casa de Misericórdia no Brasil. Talvez daí venha a noção de voluntariado ligado à área espiritual, visto que esta atividade era desenvolvida por padres e freiras.

Até hoje diversas entidades ligadas à área da saúde assistidas e administradas por religiosos. Exemplos: Hospital São Camilo e Hospital Santa Catarina em São Paulo. O mesmo vale para a área da Educação.

1910 - O escotismo chega ao Brasil com seus princípios e normas específicas na área de servir "Sempre Alertas", introduzindo seus conceitos em nossa sociedade.

1930 - O governo e suas instituições passam a ser mais ativos com o desenvolvimento de políticas assistencialistas, reforçadas na era Vargas onde o estado passa a pecar pelo excesso, ou seja, ao invés de ensinar e prover condições para a sociedade se auto-organizar em alguns quesitos, verticalizou e assumiu quase todas as obrigações. Sejam em âmbito nacional, estadual ou municipal, estas políticas derivadas das mais nobres intenções naufragaram pela falta de planejamento e também pela falta de comprometimento e de envolvimento ativo dos interessados/beneficiados.

1935 - Getúlio Vargas sanciona a Lei da Declaração de Utilidade Pública que regulamenta a colaboração do Estado com as instituições filantrópicas.

1942 - Getúlio cria a L.B.A. - Legião Brasileira de Assistência, sempre presidida pelas 1.ªs Damas, que indiscutivelmente, durante sua existência, foi palco de vaidade e competição e teve suas atividades encerradas na era Collor, tendo a Sra. Roseane Collor encerrado seu ciclo de existência com um escândalo bastante considerável.

Décadas de 50 e 60 - Com o agravamento de questões sociais no país e nossa exposição à realidade mundial, nossa sociedade civil passou a mobilizar-se de forma mais efetiva, onde algumas figuras eminentes da sociedade nacional ou local passaram a liderar movimentos em prol e causas específicas (muitas delas correlatas às suas realidades e interesses pessoais), aglutinando simpatizantes, normalmente ligados à sua esfera social. Nasceram aí as primeiras sementes de organizações sociais e consequentemente Corpos de Voluntários atuando por uma causa.

No início esse voluntários eram em sua maioria , compostos por mulheres mito bem intencionadas , mais muito pouco treinadas, envolvidas pela causa por opção ou por afinidade. Porém, a realidade da mulher brasileira, enquanto agente social, ainda estava no estágio de pré-emancipação, porque, em sua maioria , não tinham atividades profissionais. Chás de senhoras e eventos de caridade configuravam-se como as principais ferramentas utilizadas por este setor.

A sociedade por sua vez, via estas atividades de forma semi positiva, já que eram desenvolvidas como trampolim social, meios de corrupção e ganhos de imagem para pessoas ou empresas que as conduziam. Além disso, existia a total ausência de prestação de contas às pessoas e à comunidade que colaboravam com estas obras.

Assim se caracteriza a era que chamamos de "damista" do voluntariado nacional, fruto do assistencialismo estatal, da igreja e da segregação elitista que a sociedade mais rica da época impunha intencional ou involuntariamente aos mais necessitados, onde a filosofia reinante era "ajudemos estes pobres coitados pois também são gente", ao invés de "vamos desenvolver nossa sociedade, auxiliando nossos irmãos, melhorando nossa comunidade e desenvolvendo a cidadania".

Porém esta fase foi o preâmbulo de formas mais modernas de organização social, dando início a novos conceitos, novas técnicas na área de servir e novas filosofias. Há que se salientar que ainda encontramos esse modelo ultrapassado em diversas instituições deste país.

1970 - Nesta década, buscando parceiros mundo afora, as ONGs Européias (Ocidental) para promover projetos de desenvolvimento no Terceiro Mundo, acabaram por fomentar o surgimento das ONGs nos continentes do hemisfério sul e, portanto, no Brasil. Só que tendo sua origem no período autoritário (ditadura) e seu horizonte internacionalizado na época áurea da guerra fria (direita x esquerda), as ONGs brasileiras ficaram mais associadas ao discurso e a agenda da esquerda. Com o decorrer do tempo ocorreu uma transformação importante no seu conceito original, sendo nos dias de hoje definidas como um conjunto de organizações da sociedade civil que distinguem-se do estado e do mercado.

1990 - A partir da década de 90, começaram a surgir formas mais modernas de atuação social, mais agudamente no período pós- Collor, onde tanto as entidades do terceiro Setor, como seus corpos de voluntários buscaram incorporar ao seu gerenciamento, conceitos, filosofias e procedimentos advindos do Segundo Setor, porém sem perder sua identidade e sua missão.

1996 - A Fundação Abrinq, em 1990, que sempre desempenhou um papel importante em benefício da infância, passou a sentir a necessidade de conhecer formas de organização do trabalho voluntário no Brasil. Unindo forças com o Conselho do Programa Comunidade Solidária, muito interessado também nessa temática criaram o "Programa de Estímulo ao trabalho Voluntário no Brasil", para promover o conceito e a prática da cidadania no país, oferecendo canais organizados para ação voluntária através da criação de uma rede de Núcleo de Voluntário (Centros de Voluntários) em grandes cidades de várias regiões do país.

Hoje temos em quase todas as capitais e já em algumas cidades Centros de Voluntários atuando
Tanto na captação, como na capacitação das entidades e também na capacitação de voluntários, enquanto agentes sociais.

1998 - O Presidente Fernando Henrique Cardoso promulga a Lei 9.608 de 18 de fevereiro que condiciona o trabalho voluntário nas entidades sociais regulamentando, legitimando e reconhecendo esse tipo de ação, minimizando dessa forma a probabilidade de ocorrência de problemas nas relações trabalhistas.

2001 - Declarado pela ONU como o Ano Internacional do Voluntário, estudos aprofundados e novas formas de ações estão sendo realizados no mundo todo.

 
voltar