O que é o movimento

O "amo CURITIBA ações voluntárias" é um projeto sem fins lucrativos do Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (SINEPE-PR Curitiba) que tem como objetivo formar uma rede solidária, atingir a inteligência coletiva, permitir a sinergia de saberes sobre Responsabilidade Social num excepcional modelo de organização da sociedade educacional. O projeto reúne atualmente 377 escolas associadas ao SINEPE, 165 escolas estaduais e 160 escolas municipais, formado uma rede única que agrega cidadãos conscientes e solidários promotores da responsabilidade social.

A origem

Projeto amo CURITIBA

Prof. Jacir J. Venturi *

As escolas particulares possuem um potencial extraordinário, pois, na média, é elevado o padrão sócio-cultural dos pais e alunos. Este potencial, no entanto, é pouco utilizado na promoção da cidadania e da justiça social. Boa parte dos futuros líderes do país está hoje ocupando as carteiras das escolas privadas.

Por este motivo, as escolas particulares desenvolveram um projeto denominado amo CURITIBA ações voluntárias, que tem por objetivo promover, divulgar e fortalecer ações voluntárias das escolas particulares, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida da população curitibana, proporcionando dignidade e respeito à comunidade e ao meio ambiente.

O projeto amo CURITIBA ações voluntárias é resultado da consulta a 1900 alunos de três escolas particulares. Participaram do trabalho mais de 170 pessoas, entre professores, coordenadores e diretores. O mérito está no fato de que é fruto não de uma pessoa ou de um grupo fechado, mas se caldeou na frágua dos anseios e da disposição de pré-adolescentes e adolescentes do Ensino Fundamental e Médio.

Antes da consulta aos alunos, foi feita uma prévia apresentação, mostrando uma Curitiba além dos nossos olhos, além da "torre de marfim" que muitas vezes nos encastela:

a) Cerca de 200 mil pessoas vivem nas favelas de Curitiba. São 122 favelas, o que corresponde à quinta cidade do Brasil (IBGE).
b) A boa gestão de diversos prefeitos fez com que Curitiba merecesse os epítetos de cidade ecológica, primeira cidade de qualidade de vida, cidade da eficácia do transporte coletivo, etc. No entanto, Curitiba é hoje uma megacidade, constituída de um centro pujante, alguns bairros de classe média e alta, porém envoltos por um cinturão de miséria. Existem favelas em 42 bairros de Curitiba.
c) Nos últimos 10 anos a taxa de crescimento da periferia de 50 megacidades do Brasil (entre elas Curitiba) foi de 30% contra 5% da população mais rica. O índice de homicídios saltou de 30 para 150 por 100.000 habitantes (padrão colombiano). O crescimento é desordenado e ocorre em velocidade superior à capacidade das autoridades de contê-lo. (Revista Veja de 24/01/01).
d) A cidade de Curitiba detém muitos índices positivos e que foram repassados aos alunos, pois não há motivo para se criar uma imagem catastrofista. No entanto, quase metade (45,5%) da população já foi vítima de assalto (Gazeta do Povo de 11/03/01). O Paraná é o 5.º estado no ranking de automóveis roubados. O Brasil já é recordista mundial em blindagem de automóveis: 5 mil por ano.
e) Aos alunos foram apresentados diversos serviços e programas comunitários, uma vez que impera na cabeça de muitos que os problemas sociais constituem uma incumbência do Poder Público. A bem da verdade, este não consegue atender a tanta demanda, e os recursos são limitados.
f) É emblemático que 2001, primeiro ano do século e do milênio, tenha sido eleito pela ONU como Ano Internacional do Voluntário. Há uma mudança cultural em relação às ações voluntárias - mais responsáveis e menos paternalistas - sendo enormes as perspectivas de crescimento para os próximos anos. Ademais é louvável a sua valorização aos candidatos a emprego em diversas empresas.
g) Enfatizou-se aos alunos que o presente projeto não possui vínculo a nenhum partido ou credo. No entanto, todas as religiões apresentam em sua doutrina o comprometimento em ações sociais. Uma boa parte dos jovens encontra na religião a principal motivação para solidariedade: você leva aquilo que dá.
h) O Brasil não é um país pobre, antes de tudo é um país injusto.
i ) É um grande erro não fazer nada, quando se pode fazer pouco, ao não se poder fazer tudo.

Depois de terem sido mostrados esses relevantes fatos aos 1900 alunos, foi aplicada a consulta. Assim, os alunos receberam um papel com uma logomarca: um ser humano estilizado com coração inflado pelas ações voluntárias. Este símbolo foi criado especialmente para esse projeto, sendo uma cortesia de um conceituado publicitário. É inquestionável que a palavra CURITIBA tem um forte apelo junto aos jovens, daí a necessidade de fazê-la presente na campanha.

Quanto ao desejo dos 1900 jovens consultados de participar ou não do projeto amo CURITIBA ações voluntárias, obtivemos aproximadamente as seguintes respostas:

  • 8% já participam de ações comunitárias com doações ou com seu tempo;
  • 71% gostariam de participar (mas boa parte não sabe como);
  • 11% disseram não dispor de tempo ou têm outras prioridades;
  • 5% manifestaram-se com descrédito, pilhéria ou humor;
  • 5% não responderam.

Assim, dispomos de um acervo precioso quanto à disposição dos adolescentes em participar de ações voluntárias. É evidente que na prática nem tudo são rosas, pois entre o aluno se manifestar e praticar há, no meio, um mar.

É pertinente o pensamentro de George Santayana (1862-1952), filósofo americano de origem espanhola:

"As pessoas podem ser divididas em três grupos:

- os que fazem as coisas acontecerem;
- os que assistem as coisas acontecerem;
- os que ficam se perguntando o que foi que aconteceu."

É atribuição dos pais e educadores fazer com que os jovens do 2.º e 3.º grupos, que são a maioria, subam para o 1.º grupo. Ou teremos que conviver com uma geração hedonista e alheia aos problemas sociais.

* Jacir Venturi é Vice-presidente do SINEPE/PR, Professor e Diretor de escola.

A importância

Na Cúpula Mundial sobre o Desenvolvimento Social, realizada em Copenhague em 1995, cerca de 117 países se comprometeram a assumir a implantação de 10 compromissos objetivando aliviar a miséria, promover o acesso universal ao emprego e garantir a integração social. Se bem que o voluntariado não tenha sido mencionado especificamente em Copenhague, contudo referiu-se ao papel importante das organizações voluntárias e comunitárias no âmbito do progresso social e econômico.

No decorrer da primeira Reunião Preparatória para a sessão extraordinária da Assembléia Geral sobre a Implementação das Resoluções da Cúpula Mundial sobre o Desenvolvimento Social, realizada em maio de 1999, o governo japonês propôs que a importância do voluntariado para o desenvolvimento social fosse completada na sessão extraordinária a ser realizada em junho do ano 2000. O programa de Voluntários das Nações Unidas (UNV), como ponto focal para o Ano Internacional do Voluntário (2001), foi convidado a apresentar um relatório sobre esta questão na sessão extraordinária e também a sugerir propostas para iniciativas adicionais. A fim de facilitar a elaboração do relatório, um Grupo de Trabalho de Especialistas reuniu-se nos dias 29 e 30 de novembro na cidade de Nova Iorque na sede da Associação das Nações Unidas nos EUA. O grupo foi composto por treze especialistas representando o voluntariado de todas as regiões do mundo, além de representantes do Departamento de Assuntos Sociais das Nações Unidas, do Escritório de Monitoramento de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Instituto de Pesquisa em Desenvolvimento Social das Nações Unidas (UNRISD), o Programa de Voluntários das Nações Unidas, e do Banco Mundial (em anexo está a relação completa dos participantes). O ponto de partida das discussões foi um artigo sobre o histórico do Voluntariado e o Desenvolvimento Social, elaborado por Dr Justin Davis Smith do Instituto de Pesquisa do Voluntariado do Reino Unido. A sessão foi aberta pelo Vice Representante Permanente das Nações Unidas no Japão.

A direção seguida pelos participantes foi de que o voluntariado desempenha um papel significativo no bem estar e no processo de países industrializados e de países em desenvolvimento, e que constitui-se na base de muitas das atividades realizadas por organizações não governamentais, associações de classe, sindicatos e serviços governamentais descentralizados. Além disso, o voluntariado é um veículo básico através do qual a juventude, os idosos, as pessoas com necessidades especiais, as famílias e outros grupos sociais participam da vida cultural, econômico e social dos países. Contudo, o alcance e o impacto das ações voluntárias na maioria das vezes ficam sem registro e o efeito de políticas sobre a disposição e a capacidade das pessoas serem voluntárias tem sido, até agora, objeto de consideração limitada em nível emocional e internacional. Ao enfocar as diversas formas de trabalho voluntário, a comunidade internacional tem a oportunidade de reforçar tanto os meios quanto a capacidade de pessoas de todos os setores da sociedade participarem de atividades cidadãs que beneficiem seus países, suas comunidades e elas mesmas.

As discussões foram divididas em quatro segmentos, tendo-se três grupos de trabalho por segmento, os quais apresentaram suas considerações em plenária.

Primeiro Segmento: Definições e formas

O primeiro segmento examinou a definição de voluntariado e as várias formas com que se manifesta nos diversos contextos regionais e nacionais - desde auto-ajuda e participação até a prestação de serviços e a realização de campanhas.

Segundo Segmento: Os benefícios do trabalho voluntário

O segundo segmento considera os benefícios do trabalho voluntário tanto para a sociedade como um todo quanto para o indivíduo voluntário, enfocando as três áreas-chave prioritárias identificadas na Declaração e Programa de Ação de Copenhague, quais sejam: a integração social, o alívio da miséria e o acesso universal ao emprego.

Terceiro Segmento: Questões-chave e desafios para o voluntariado

O terceiro segmento concentrou-se em questões relativas a ações voluntárias, incluindo a globalização e o relacionamento com o estado e o mercado.

Quarto Segmento: Apoio governamental para o voluntariado

O quarto segmento discutiu recomendações para governos objetivando o fortalecimento e o apoio ao voluntariado

Este é o contexto que levou Assembléia Geral das Nações Unidas - ONU, a proclamar 2001 como o Ano Internacional do Voluntário. O Ano foi concebido com o propósito de fomentar o reconhecimento dos voluntários, facilitar seu trabalho, criar uma rede de comunicação e promover os benefícios do voluntariado. Espera-se que o Ano Internacional do Voluntário ajude a identificar um maior número de necessidades que possam ser supridas com a ajuda de voluntários, que exista cada vez mais um número maior de pessoas interessadas em oferecer seu serviço como voluntários e as organizações de voluntários recebem mais facilidade e recursos que lhe permitam seguir enfrentando seus propósitos. Em um ano assim, todos podemos ganhar. Pode servir para revigorar o compromisso de indivíduos e de grupos voluntários. Os Governos, as organizações não governamentais e o setor privado, podem desenvolver novas formas de cooperação mútua para fomentar a participação de todos, aliviar problemas e promover uma boa governabilidade.

Fonte: Programa de Voluntários das Nações Unidas
Reunião do Grupo de Trabalho Especialistas sobre Voluntariado e o Desenvolvimento Social

www.iyu2001.org

Nossa contribuição

O SINEPE/PR-CTBA, através do projeto "amo CURITIBA ações voluntárias", baseou-se nas diretrizes do Programa de Voluntários das Nações Unidas no Comitê Brasileiro do Ano Internacional do Voluntário, estruturando assim suas quatro linhas gerais de atuação.
Assim o SINEPE/PR-CURITIBA, através do projeto "amo CURITIBA ações voluntárias", atuará:

  • No Reconhecimento do trabalho voluntário exercido pela comunidade de escolas de Curitiba;
  • Como Facilitador do desenvolvimento do trabalho voluntário exercido pela comunidade de escolas de Curitiba;
  • Na formação de Networking através do uso de tecnologia de informação integrada à comunidade de escolas de Curitiba, que trabalham com voluntariado;
  • Na promoção da cultura do voluntariado, apoiando ações desenvolvidas na comunidade de escolas de Curitiba.

É relevante destacar que a iniciativa para criação de uma rede de solidariedade em prol da busca de soluções e alternativas dos vários problemas da sociedade resultará no comprometimento e envolvimento de toda comunidade de escolas de Curitiba com o ideal da melhoria de vida de todos.

Para atingir esses objetivos, o SINEPE definiu as seguintes estratégias:

  • Apoiar a criação e manutenção de Home-page do projeto que servirá de um banco de idéias de projetos desenvolvidos por toda comunidade escolar;
  • Produzir materiais de divulgação do projeto como "folders", adesivos para carros e "botons";
  • Promover a integração de todas as instituições de educação se utilizando de prática de eventos e a participação da imprensa;
  • Reunir e difundir informações úteis para apoiar o desenvolvimento de projetos de ações voluntárias na comunidade escolar;
  • Assessorar a elaboração de projetos junto às instituições educacionais;
  • Buscar a participação crescente da população através de ações permanentes