A
Voluntarioterapia
Jacir
J. Venturi
"O
trabalho voluntário é para mim uma prece silenciosa.
Deveis encontrar uma causa generosa à qual sacrificareis
tempo e dinheiro, porque é assim que conhecereis a alegria
de dar. Mais do que vossas posses, é quando derdes de vós
próprios é que realmente dareis."
(Gibran Khalil Gibran (1893 - 1931), poeta escritor e filósofo
libanês)
"Quem
é voluntário não só dá, recebe
muito mais" - proclama Zilda Arns. A entidade que essa senhora,
sempre com a aparência feliz, preside - a Pastoral da Criança
- é composta por 150.000 voluntários e atende a mais
de um milhão de famílias ao módico custo de
R$ 0,87 por criança/mês.
Mais
surpreendente e encantadora é a alegria com que esses voluntários
praticam e relatam suas atividades. São pessoas que carregam
dentro de si uma energia positiva muito forte. Não se apequenam
ante às vicissitudes da vida. São entusiastas. Aliás,
entusiasmo é uma palavra belíssima que provém
do grego - en-theo - que literalmente significa "deus dentro
de si". Para os gregos politeístas, quem carrega a chama
esplendorosa do entusiasmo tem um deus dentro de si.
Na
convivência com jovens que praticam ações comunitárias,
ouvimos três frases que encerram grandes verdades: 1) Você
já viu um voluntário triste quando em ação?
2) Existe terapia melhor que fazer o bem? 3) Quando estou praticando
o voluntariado, esqueço os meus problemas. Até porque
meus problemas são pequenos diante da realidade em que estou
atuando.
O
Brasil não é um país pobre, mas sim injusto.
A bem da verdade, este país será salvo não
apenas pelos governantes, mas pelas ações concretas
de cada um de nós. Não podemos ficar indiferentes
à cruel realidade de nossas crianças, carentes não
só de alimento, saúde e boas escolas, mas também
de todo o tipo de esperança. Milhares de brasileiros estão
fazendo a sua parte, mas é pouco para uma nação
com milhões de jovens com tempo disponível, bem instruídos,
bem nutridos e, no entanto, excessivamente hedonistas e alheios
aos problemas sociais.
E
também fico me perguntando se nós, educadores, pais
e líderes comunitários, não estamos falhando
em preparar para nossas crianças e adolescentes um caminho
por demais florido e pavimentado, se não estamos falhando
com nosso pouco envolvimento em ações voluntárias.
Não podemos ignorar que a generosidade e também a
falta de iniciativa são características da juventude.
São enfáticos os dados de uma pesquisa que realizamos
com 1900 alunos de 3 escolas de Curitiba que mostraram que, apenas
8% dos jovens, participam de ações comunitárias.
No entanto, 71% gostariam de participar, mas boa parte não
sabe como.
É
imprescindível que o jovem tenha sempre metas, objetivos,
para o dia, para o mês, para o ano e para a vida. A ação
organizada, unida ao entusiasmo, produz uma força hercúlea.
Mesmo tropeçando em pedras, que siga resoluto em direção
ao topo da montanha. E, em tudo que julgar importante, que vá
além da sua obrigação.
O
voluntariado é um dever de consciência social, prática
da cidadania e garantia de um futuro melhor para os nossos filhos.
Ademais é uma gratificante terapia que cresce anualmente
à razão de 20% no Brasil.
E
para concluir, belas e oportunas são as palavras do Dalai-Lama:
"A ajuda aos semelhantes lhe traz sorte, amigos e alegrias.
Sem ajuda aos semelhantes, você acabará imensamente
solitário."
Jacir
J. Venturi, é professor e diretor de escola
Gazeta
do Povo, 10 de dezembro de 2001.
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Projeto
incentiva alunos voluntários
Trabalho, intitulado Amo Curitiba, é implantado em escolas
particulares
O Sindicato das Escolas Particulares do Paraná, em Curitiba,
(Sinepe/PR-Curitiba) está desenvolvendo um projeto inédito
na área do voluntariado. Intitulado Amo Curitiba, o trabalho
tem a finalidade de promover, divulgar e fortalecer ações
voluntárias das escolas particulares de todo o Paraná.
"A
idéia é que todas as nossas escolas, tanto as da capital
quanto as de outros municípios, estejam envolvidas em ações
voluntárias", explica a professora Maria Luiza Xavier
Cordeiro, presidente do Sinepe-PR/Curitiba. Segundo ela, hoje muitas
escolas já realizam ações voluntárias,
mas de forma isolada. "É preciso juntar essas forças
em prol da comunidade", ressalta.
O SINEPE está desencadeando o projeto inicialmente em Curitiba
e deve levar, ainda este ano, para os demais municípios do
estado, estendendo, assim, a rede voluntária a todo o Paraná.
"Existe muito esforço repartido. É preciso juntar
essas forças para o bem da sociedade", considera a presidente.
E, na realidade, essa junção de forças já
vem acontecendo. Um exemplo é o apoio que as escolas particulares
receberam das escolas públicas do estado. Em reunião
no Sinepe, a professora Clemência Maria Ferreira Ribas, chefe
do Núcleo Regional de Educação de Curitiba,
anunciou total apoio à causa. "Não há
como fazer as coisas de forma separada. É preciso união
de escolas públicas e particulares para ampliar ainda mais
o projeto Amo Curitiba", destaca.
Segundo o professor Jacir Venturi, vice-presidente do Sindicato
e o idealizador do projeto, o projeto Amo Curitiba nasceu do resultado
de uma consulta feita a 1900 alunos de três escolas particulares,
num trabalho que envolveu mais de 170 pessoas, entre professores,
coordenadores e diretores. Depois de mostrar alguns problemas enfrentados
por Curitiba e pelos demais municípios do Paraná,
os estudantes receberam uma folha de papel onde puderam expressar
suas opiniões sobre voluntariado. A folha de papel continha
apenas o símbolo do projeto, também criado de forma
voluntária por um publicitário de Curitiba, que é
a figura de um ser humano estilizado com o coração
inflado pelas ações voluntárias.
SOLIDARIEDADE
Pesquisa mostra que estudantes têm interesse em ajudar
Cerca de 70% deles não sabe como participar de ações
voluntárias
As
respostas dos estudantes em uma pesquisa entusiasmaram o SINEPE
a abraçar a causa do voluntariado. No total, 71% dos alunos
gostariam de participar de ações voluntárias,
mas a maioria não sabe como. Outros 8% já participam
de ações por meio de doações ou com
o seu tempo disponível. No entanto há uma parcela,
de 11%, que disseram não dispor de tempo ou que têm
outras prioridades, 5% manifestaram-se na consulta com descrédito
e 5% não responderam. O professor Venturi reconhece que entre
se manifestar e praticar há, no meio, um mar. Mas já
se é um começo.
O
professor cita ainda o filósofo americano, de origem espanhola,
George Santayana, que diz que as pessoas podem ser divididas em
três grupos: os que fazem as coisas acontecerem, os que assistem
as coisas acontecerem e os que ficam se perguntando o que foi que
aconteceu. "Mas é atribuição dos pais
e educadores fazer com que os jovens de segundo e terceiro grupos,
que são a maioria, subam para o primeiro grupo. Se isso não
acontecer, explica, corre-se o risco de termos de conviver com uma
geração hedonista e alheia aos problemas sociais.
A
professora Maria Luiza diz que, dentro de mais alguns dias, uma
home page estará no ar com todas as informações
do projeto. O site poderá ser acessado pelo endereço
www.amocuritiba.org.br e as pessoas que quiserem se comunicar com
os responsáveis pelo projeto poderão enviar e-mail
para amocuritiba@amocuritiba.org.br.
Gazeta
do Povo, 02 de abril de 2001
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Alunos
voluntários de escolas particulares representam minoria
71%
gostariam de participar de ações sociais, mas não
sabem como
O
resultado de uma pesquisa realizada pelo Sindicato das Escolas Particulares
de Curitiba (Sinepe), do ano passado e começo deste ano,
mostra que apenas 8% dos estudantes de estabelecimentos particulares
da capital realizam trabalhos voluntários, como doações
e dedicação do tempo livre a causas em prol dos menos
favorecidos. No entanto, dos 1.900 alunos consultados, 71% deles
gostaria de atuar em ações solidárias, mas
não sabe como. "Querer eu quero, mas não sei
o que posso fazer ou a quem procurar", diz Jaqueline Krause,
14 anos, que cursa a 8.ª série no Colégio Cristo
Rei, que faz parte da maioria que não sabe como colaborar.
O indicativo de boa vontade dos alunos do ensino fundamental e médio
no Ano INternacional dos Voluntários, levou o Sinepe a lançar
ontem o projeto "Amo Curitiba ações voluntárias",
que tem a finalidade de promover, divulgar e fortalecer o voluntariado
estudantil.
Pelo projeto, o sindicato irá funcionar como um grande banco
de idéias de ações voluntárias que estarão
sendo realizadas pelas escolas, fazendo também a divulgação
dos trabalhos à sociedade. Hoje, mais da metade das 930 escolas
particulares da capital já executam alguma ação
solidária, mas de forma isolada. Na próxima sexta-feira,
uma reunião entre os estabelecimentos de ensino envolvidos
definirá a forma de atuação dos colégios.
"Passar valores, disciplina e outras noções de
cidadania é tão importante nas escolas quanto o ensinamento
formal", afirma o vice-presidente do Sinepe e idealizador do
projeto, professor Jacir Venturi. A iniciativa deve ser levada ainda
este ano para o interior do Estado.
Para que respondessem sobre o trabalho voluntário, os estudantes
receberam informações sobre a situação
atual de Curitiba. Ficaram sabendo que 200 mil curitibanos moram
atualmente em 122 favelas na cidade, que dos 75 bairros de Curitiba
em 42 existem favelas, que metade da população já
foi vítima de assaltos e que o crescimento da periferia de
Curitiba nos últimos dez anos foi de 30%, contra 5% da população
mais rica, entre outras. Os alunos também receberam informações
sobre diversos serviços e programas comunitários.
Gazeta
do Povo, 19 de abril de 2001
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Estudantes
querem ser voluntários
Para
dar chance a eles, entidade que reúne as escolas particulares
lança projeto.
Uma
pesquisa realizada pelo Sindicato das Escolas Particulares (Sinepe/PR)
com 1.900 alunos de escolas particulares de Curitiba revelou que
71% dos estudantes gostariam de participar de ações
voluntárias, mas não sabem como. E que 8% já
realizam ações através de doações
ou durante o tempo disponível. Apenas 11% alegou não
dispor de tempo ou ter outra prioridade.
Devido o resultado da pesquisa e aproveitando as comemorações
do Ano Internacional do Voluntariado, o Sinepe decidiu colocar em
prática o projeto "Amo Curitiba - Ações
Voluntárias". A idéia é iniciar uma rede
solidária que se estenderá pelas escolas particulares
e pela comunidade curitibana.
O lançamento do projeto aconteceu ontem, na sede da Associação
Comercial do Paraná (ACP), em Curitiba. Maria Luiza Xavier
Cordeiro, presidente do Sinepe explica que trabalhos voluntários
já são desenvolvidos por inúmeras escolas paranaenses.
O objetivo agora é unir forças recebendo até
mesmo a colaboração de alunos da rede municipal e
estadual de ensino.
Maria explica que será fundamental a troca de idéias
entre as instituições. Com o trabalho voluntário
será possível melhorar a qualidade de vida dos moradores
da capital paranaense. Outro ponto a ser desenvolvido nas escolas
é a conscientização para preservação
do meio ambiente. No projeto devem ser envolvidas 1.300 instituições.
Mudança
Cultural
O
vice-presidente do Sinepe e idealizador do projeto, Jacir Venturi,
explica que através das escolas será possível
realizar uma mudança cultural. As crianças e jovens
poderão refornular valores e atitudes. Embora juntas no projeto,
as escolas devem desenvolver atividades separadamente, conforme
às suas realidades. O projeto ainda poderá ser estendido
para outras localidades do Paraná. Uma home page está
disponível para que toda a sociedade possa conhecer o projeto.
O endereço é www.amocuritiba.org.br.
Para a secretária estadual de Educação, Alcione
Saliba - presente ao lançamento do projeto - os estudantes
das escolas particulares poderão conhecer uma realidade diferente.
A troca de experiência será fundamental para busca
de novos conhecimentos. "Os alunos vão participar de
uma atividade essencial para o crescimento de todo ser humano: dar
carinho e amor", disse.
O
Estado do Paraná, 19 de abril de 2001
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Projeto
busca envolver escolas em ações sociais
Ter
vontade de desenvolver um trabalho voluntário, mas não
saber como, nem o que fazer. Essa é a realidade de 71% de
estudantes de colégios particulares do Paraná, segundo
pesquisa realizada pelo Sindicato das Escolas Particulares (Sinepe-PR).
Pensando nisso, o Sinepe lançou, na última terça-feira,
o projeto Amo Curitiba de ações voluntárias,
que tem como principais objetivos promover, divulgar e fortalecer
atividades dessa área nas escolas do Estado.
"Queremos
desenvolver uma cultura do voluntariado entre os estudantes",
afirma o professor Jacir Venturi, vice-presidente do sindicato e
idealizador do projeto. Ele lembra que a pesquisa feita com 1,9
mil alunos de escolas particulares, apontou também um índice
de 8% de estudantes já envolvidos com trabalho voluntário.
"Com eles, nós queremos fortalecer o trabalho, principalmente
pela troca de experiências", diz.
Pelo
projeto, o Sinepe orá funcionar como um grande banco de idéias
de ações voluntárias que estarão sendo
realizadas pelas escolas. "Todo esse trabalho será divulgado
como forma de mostrar à sociedade que é possível
sempre fazer algo pelo próximo", explica Venturi.
Primeira
Hora , 20 de abril de 2001
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Aulas
no canteiro de obra
Outras
empresas da construção civil participam de projetos,
como o Canteiro da Educação, que oferece aulas de
alfabetização ou de continuidade de estudos. O programa
é do Sindicato das Escolas Particulares do Paraná
(Sinepe), em parceria com o Amo Curitiba Ações
Voluntárias e secretarias municipal e estadual de Educação.
De acordo com Elizete Leandro, assessora de projetos sociais do
Sinepe, as aulas são no canteiro de obra ou em uma escola
próxima. Atualmente, o programa tem 20 alunos da construção.
Muitas turmas se desfazem após o término da
obra. O nosso desafio é manter o trabalhador motivado a continuar
a estudar, afirma.
Matéria
publicada na Gazeta do Povo - 23/5/2007.
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